E num lampejo, como se um vulto futurístico abarcasses a janela de teu quarto enquanto tu estás em estado vegetativo olhando para o nada, tudo muda. Então te levantas e queres gritar. Gritar ao mundo que aquilo ali não é o teu lugar. Então vais. Andas em torno de ti, em torno de praças e lugares desconhecidos e dá voltas e voltas, e volta. Não sabes o que realmente queres, e novamente aquele lampejo te acerta em cheio. Não sabes para onde voltar, já abandonastes o que eras. E então, clama por outro lampejo, que te cegues, mas que mostres o caminho. Mas tudo que vês é alguém esperando por ti do outro lado da rua. Segue até ele, que segura tua mão e diz ‘vem comigo’. E por um instante toda a calma que sempre procuraras te atinge e te dopa, faz-te perder os sentidos e toda a lógica. Não respondes nada, não consegue. Apenas vai, e sentes que está no caminho certo. Vais, e perdes o caminho de volta propositalmente. Vai, e prometes voltar, sabendo que esta promessa já está quebrada. Vais encontrar o que sempre buscou, um motivo para recomeçar, um motivo para se encontrar, um motivo para acreditar. E encontra. E se encontra. E não perdes mais, e não voltas mais.
novembro, 14, 2009
O que mais falta acontecer esse ano? Eu me pergunto se é alguma força oculta agindo contra o universo, querendo esmagar toda e qualquer florescencia de esperança que tenta inultimente ganhar forças entre galhos de um inferno verde-musgo-quase-negro. Um fiozinho verde-límpido-brilhante que é apagado,triturado, engolido por entre os galhos. Deprezado, como se fosse uma praga. Eu sinto algo me sufocando, algo que retira todas as minhas forças. É a falta de esperança que me deixa estáticamente confusa. Como se mãos invisiveis infincassem adagas em meu interior, e eu fosse incapaz de arranca-las, e simplesmente me ferisse ainda mais nas tentativas. Sinto me um peixe fora d’agua, que mesmo quando encontra o aquário, quase se afoga. Desaprendi a acreditar. A confiar. Eu vejo o mundo caminhar para o caos, pandemias, destruição, assassinatos diários físicos e morais dos mais cruéis e desumanos possíveis. Eu vejo meu futuro na mão de quem não se importa com nada além de sua conta bancarária corrupta. Eu sinto raiva. Sinto vergonha. Eu me pergunto, até quando essa situação deplorável vai continuar impune, e dentre tantas perguntas sem resposta, essa faz questão de gritar, soletrar, pixar em todos os muros, estampar nas manchetes do jornais: pra sempre e mais um dia. Dentre despedidas e reencontros, mal entendidos, decepções, pandemias, adiamentos, nepotismos, inconformismos, traições, embriaguez, descobertas, indas, vindas, não há mais nada que me surpreenda. Se eu cair ainda mais, vou ser soterrada, e não volto mais. Então me diz, senhor 2009, que mais você tem pra mim?
outubro, 27, 2009
Deitada sobre lençóis finos, claros e frescos, via o céu pela janela. Mas, divagava muito além do azul infinito manchado de branco. Pensava em como cheguei até ali. Não exatamente ali, em minha cama, no meu quarto, deitada devaneando…mas, em como ‘eu’ era ‘eu’. E quantos pedaços de mim, havia deixado pelo caminho, e ainda estava ali, não inteira, mas sustentando-me sobre os pedaços que restavam.Acreditando, que estes ‘pedaços’ eram possivéis de se regenerar até que eu pudesse me sentir completa denovo. E se algo tivesse sido arrancado tão vorazmente que jamais se regenaria? Bem, viveria sem. E ele, era algo que eu pretendia viver sem, mesmo sentindo o vazio gritante que havia ali, dentro de mim. A cada dia, o pedaço de mim pertecente a ele, se tornava maior. Dia a dia, até que percebi que não tardaria e eu não me pertenceria mais, e tive medo. Fugi. Corri até ficar longe o bastante para não ser tocada. Mas, o que de mim ele tinha com ele, lá ficou. Então, pela primeira vez em muito tempo, fui forte a ponto de brigar com o destino. De impor minha vontade. Não quero, não posso, não preciso. ‘Vá, e cuide bem da parte de mim que está com você, caso queira devolver um dia.’ E ele foi. Não como eu esperava que fosse, jogando de volta tudo de mim que havia nele. Mas, foi assim, aos trancos, quase não indo. E não foi inteiramente. Continua perto o bastante para eu sentir, mas não para eu tocar. Para não me deixar esquecer. E eis que a resposta para o que eu sou, está aí. Na teimosia dele, em não ir. No pedaço faltante, preenchido por outro : saudade. E eis o que sou, aqui, deitada vendo as nuvens dançando: um poço de saudade.
“Ah, se ao te conhecerDei pra sonharfiz tantos desvariosRompi com o mundoQueimei meus naviosMe diz pra onde é que inda posso ir”
agosto, 26, 2009
“Tentando ser o que eu não era mais
Eu me vi escondido em um mundo que você criou
E nunca mais voltou pra me libertar
E eu que não sei aonde chegar
Já caminhei tanto pra encontrar
E eu que não sei como te falar
Já escrevi tanto pra cantar
Mas se você não quiser ouvir
As canções já não me dizem mais nada”
ps: o outro post sumiu, bugs do WordPress.
agosto, 9, 2009
Você chegou e me levou aos céus. E me deixou por lá, pisando em terrenos macios, mas nunca seguros. Eu caí. E foi então que percebi que prefiro terrenos árduos, mas seguros. Eu aceitaria caminhar perante pedras, espinhos e quaisquer obstáculos, se você segurasse minhas mãos, iria sorrindo. Mas, você foi.Nunca segurou-as. Perdeu-se por algum caminho, e eu tenho que seguir, sem você. Adeus.
julho, 13, 2009
Minha cabeça está rodando. Mal consigo pensar direito, mal tenho vontade de levantar-me e abrir a janela. Não sei se o sol apareceu hoje.Eu não sei o que espero. Nem sei se espero algo… Está tudo tão indigesto e insólito, que perdi completamente meu controle. Joguei o certo pela janela do sétimo andar. Destruí um castelo de concreto, que demorou anos para ser construído. Preferi meu castelo de cartas. Frágil, sempre pendendo para os lados, querendo cair. Seguro-o. Entro em equilíbrio, nem que para isso precise me desdobrar, pender, ameaçar desabar junto. Ele me segura. Não sei até quando, nem desde quando.E este castelo me faz querer ver o dia nascer. Está tudo fora do lugar. O errado ficou certo. Eu quero viver o errado, e minha cabeça continua rodando, buscando perguntas, respostas. Acumulam-se perguntas, há carência de respostas. Vou levando assim, enquanto as cartas estiverem na mesa…
junho, 20, 2009
Arlequins são assim, donos de um encanto surpreendente, pobre Colombina que deixa-se levar, em uma vã ilusão de encontrar um amor de verdade. E o Pierrot, ali, espera a Colombina voltar da desilusão, de braços abertos, pronto para faze-la acreditar que seu amor é bem maior. Pobre Arlequim, não carrega nada além de mentira. Há de afogar-se nelas um dia. Pobres humanos, tão fracos, tão dependentes, tão dignos de piedade, quando se trata do tal do amor; que mal conhecem, que mal sentem verdadeiramente, e sofrem…
“E a sua sina é chorar a ilusão, em vão”
junho, 16, 2009
Dizem que seguir o coração é melhor caminho.
Mas o meu é burro.
Tão burro que mal consegue resistir a um belo leque de trechos hermanícos.
” De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?”
(continua…)
abril, 20, 2009

Nem todas canções vão dizer o que eu sinto
O que eu sinto por você
Mas a nossa história eu sei que é pra sempre
É só você lembrar
Quando a luz apagar
Eu vou encontrar o caminho pra nós dois
Se alguém te disser que eu não vou voltar
É só você lembrar.
[Parei com o blog. Um dia, eu volto.]
abril, 10, 2009
As coisas estão mudando – você me diz.
Mudando pra pior, eu penso comigo. Eu continuo guardado um lugar pra você, como se você estivesse ido logo ali, não demorasse e já voltasse. Mas, você foi embora e nem sabe mais o caminho de volta. Eu tento te mostrar, acendo as luzes, deixo as portas abertas, grito seu nome. Mas as luzes se apagam, as portas se fecham violentamente, e a minha voz é abafada por sua falta de vontade e esperança de reencontrar meu caminho.
E não há o que eu possa fazer, meu bem. As coisas estão mudando, e eu também estou perdendo as esperanças.
Me perdoa. Eu me rendo, eu desisto.