Julho 2008


Oh, ganhei selo. Não sabia da existência desses selos até ganhar um. Obrigada ao “Papéis Riscados”, pelo reconhecimento.

O sistema dos selos manda que os recebedores dos tais, indiquem mais três que mereçam ganhar.
Sinceramente, eu não precisei pensar muito para saber quem são meus preferidos:

30 de Outubro : Jonathan Iohanathan, sou fã do blog e de tudo que ele escreve, canta, inventa. Tudo maravilhosamente bem.
Sobre não ter o que dizer : Daniel Barros, ele consegue dizer em poucas palavras, coisas que eu não conseguiria dizer em um milhão de linhas.
Lugar nenhum : Marcelo, versos muito bem escritos que são ótimos de se ler.

o selo, rs ↑

FECHA PARÊNTESES.

A chuva de ontem fez o céu estrelado hoje. A distância que nos encalça, nos fará tão próximos um dia, a ponto de acreditarmos que nossos destinos estavam projetados? Enquanto ouço todos dizerem que não é sensato eu estar ansiando, sabendo que o que eu acredito nunca acontecerá, eu improviso uma insurdescência carregada de indiferença. Afinal uma das músicas que não canso de ouvir, carrega “Insensatez” no título.

Você não precisa simular ser quem eu arquitetei que você fosse, já passou da hora de cessar as cortinas do seu espetáculo aleivoso.Atire esse manto de bom moço que você veste para longe, e desvende o mistério de como você verdadeiramente é. Mostre aquele que ninguém em plena sanidade, ousaria chegar perto.Neste momento esqueço tudo de bom que você foi hábil em encenar, neste momento apenas a raiva que corrói.Você pensa me conhecer bem. Olhe nos meus olhos, vê algo estranho?As redes ruíram. Eu estou vendo tudo como realmente é, finalmente.Não se sinta responsável por esse pranto incessante que mancha minha face, não é por você, é por mim. Afasta suas mãos, não as quero secando nenhuma dessas lágrimas, nem digno disso és. Agora, vá embora , que não te suporto por perto.Volte daqui a um tempo, quando essa fúria cessar, e eu voltar a te amar, como todas as outras vezes…

Tudo que ela queria era desaparecer. Ir para bem longe, nunca mais pisar naquela cidade. Sumir como mágica, numa fração de segundos estar o quão longe possível fosse preciso para tentar se encontrar.

Sentiria falta das velhas amizades, da família, e dele. Mas precisava remoldar sua vida. Restauração. Melissa jamais se conformou em ter um mundinho de faz-de-conta, nunca sonhou com vestidos de noiva com caudas enormes e um príncipe encantado no altar. Enquanto suas amigas brincavam de casinha, tomavam chá e esperavam o tal príncipe chegar com um fabuloso buquê de rosas vermelhas, ela escrevia suas primeiras histórias e se satisfazia com uma flor sacada de um jardim ás pressas, desde que fosse proveniente de alguém que ela gostasse. Sua primeira história foi sobre uma garota que sonhava morar em Júpiter, ela era fascinada por aquele planeta frio e longícuo: por toda a história a garota era tachada como estranha, por ser diferente de todas as outras, enquanto as amigas queriam ir para a Disney, ela queria passer pelas galáxias. No fim da história, vieram buscar a garota, e ela soube que havia sido deixada na Terra, por seu pai, o Deus da Tempestade, por conta de uma duelo entre reis dos planetas, e agora era hora de voltar pra casa. Todas as histórias de Melissa envolviam fugas, viagens, inovações e transformações de vida. No fundo, tinha esperanças daquilo acontecer com ela, não uma história daquelas, ao estilo Clark Kent,com Deuses e planetas distantes, mas ela queria sair dali, encontrar-se. Sentia que não fazia parte daquele lugar. Mas nunca pode, ela sempre se via obrigada a aceitar estar ali. O que a consolava era saber que o sonho da mãe era ve-la formada, e ela aproveitaria essa oportunidade para sumir dali. Os pais abominavam o fato dela gastar o dia todo em frente ao computador, enquanto as outras garotas saiam pra dançar e namorar. Melissa gostava de ficar ali, conversando com pessoas de longe, identificando-se com quem parecia pensar como ela, ter os mesmos problemas e sonhos que ela, gostar das mesmas músicas e não ser considerada estranha e depressiva por isso. Ela estava um pouco menos laqueada entre os últimos dias, já havia escolhido sua faculdade há 571 km dali, queria cursar Jornalismo, Letras ou algo relacionado a computadores. Iria embora, esqueceria dele, voltaria nas férias pra visitar a família e as amigas, e nem se lembraria de todas as frustrações que aquele lugar tatuou sobre ela. Quando contou seu plano a Lucas, aquele que ela sentiria mais falta e derramaria lágrimas árduas de saudade, mas de quem mais ela queria esquecer,ele disse ser loucura, que ela sempre tivera gostos estranhos, mas que isso era demais até mesmo para ela. Como sempre, ele disse que era louca, e que jamais conseguiria ir para muito longe : abandonar tudo, ir pra o desconhecido, de mãos limpas, era declaração de loucura sancionada. Melissa estava decidida e eufórica, finalmente poderia parar de fingir gostar da cidade onde morava, dos lugares que ia. Mas, nada nunca foi fácil para ela, e mais uma vez, ela viu seu sonho ser destruído, arrancado violentamente , ao ouvir que continuaria ali, naquela cidade, naquele lugar, quando os pais a chamaram para dizer que ela deveria fazer administração , para continuar os negócios da família, e cursaria a faculdade local. Melissa gritou, implorou, chorou até os olhos ficarem inchados e a vista embaçada, mas de nada adiantaria. Descarregar sua ira e decepção no travesseiro não adiantaria em nada. Pensou em fuga, mas não se sustentaria por muito tempo, e os pais a encontrariam. Ela não teria escolha, a não ser aceitar,como sempre. Como aceitara fazer curso de datilografia, quando queria aprender a tocar violão, como aceitara deixar o cabelo crescer, quando os queria curtos, como aceitara perder quem mais amava, para não causar maiores conflitos…
Afinal a vida não era como suas histórias, com finais felizes. Ninguém viria de outro planeta para tira-la dali, ela teria que aprender a conviver com a realidade, e parar de acreditar nos seus sonhos.

Meu bem venha cá.
Quero te falar, tente acreditar
Fazer com que as cores
Reacendam nos nossos dias
(Vazios, frios, cinzas…)

Será que você vai perder esse medo?
Não demora, por favor.
Mas se demorar,
Saiba, ainda não cansei de esperar
Eu estarei esperando
Sonhando

Eu só queria poder
Moldar nossas vidas como deveriam ser
Mas espero, espero quanto for
Eu sei que tudo vai dar certo
Depois de tudo, você vai estar aqui

Meu bem venha cá,
Me abrace e não me deixe te soltar
Fique aqui mesmo em silêncio,
Só sua presença basta para me acalmar

Será que você vai perder esse medo?
Não demora, por favor.
Mas se demorar,
Saiba, ainda não cansei de esperar
Eu estarei aqui, esperando.
Sonhando

(Sei que quando acordar, você estará longe.)

Não há necessidade de ouvir explicações após a passagem de algo. Não há explicação coerente para despejar lágrimas, se isolar e lastimar sobre as esfinges da existência. Não há razão para cobiçar entender o porque de você sentir isso, ou aquilo. Gostar de músicas e venerar quem as canta, importar-se com pessoas que você nunca viu, muito mais que um vizinho que você já enjoou de ver a cara. De nada muda ouvir milhões de explicações minuciosamente elaboradas para te convencer que não é tão ruim, não foi a intenção agir de tal maneira, e do total desconhecimento das conseqüências futuras, agora presentes. Não muda em nada, ver um time ganhar ou perder, sua vida continuará a mesma. Não vai mudar em nada chorar dias e noites por algo perdido, não vai ocasionara a volta. Cantar a plenos pulmões, não fará ele ou ela te ouvir, ou se ouvir, não fará ele crer que aquilo é inteiramente para ele, ou ela. Realmente não importa, atos como este que parecem ser tão admiráveis e audaciosos, transbordam insignificância. Contudo, pessoas imploram por explicações, lutam por uma conexão entre o real e o sonhado, em que possam se sustentar. Não conseguem puramente aceitar que aconteceu, e ponto final…Acredito lealmente que pessoas gostam de padecer, viver entre e comprimidos de Lexotan.
Particularmente, odeio os porquês, e suas respostas…Covardia?
Talvez, mas prefiro não saber que tudo é muito pior que parece.

Era o primeiro dia de uma fase inteiramente nova. Colégio novo, trazendo novos sonhos, novos desígnios. As antigas amizades deixariam saudade, e o medo de se sentir só e perdida em um lugar completamente novo tomava conta de cada centímetro de meu corpo. Ao acordar e olhar para fora, vi o tempo cinza, e tudo parecia um filme de terror. Chovera a noite toda e ainda restava uma chuva fina, daquelas que duram o dia todo. Estava ansiosa e atemorizada. Em absoluto silencio, tomei uma xícara de café, me troquei e dei o primeiro passo pela passagem de uma vida completamente desconhecida.

Ao passar pelo portão do antigo colégio, ainda vazio em razão das aulas recomeçarem na semana seguinte, senti o coração apertar nostalgicamente, parei por uns segundos me perguntando se encontraria pessoas tão peculiares como havia conhecido naquele lugar, e sem resposta, segui em frente. Ao chegar, todos os novatos eram olhados com curiosidade, alguns veteranos eram mais sutis e faziam comentários tentando parecerem simpáticos, ao passo que outros não faziam o mínimo esforço para os novos se sentirem confortáveis.

Alguém me chamou a atenção, não pela beleza, mas por estar ali sentado, sozinho, fora de qualquer grupo monitorador de novatos, ele estava ali apenas olhando. Era alto, moreno e usava boné e moleton verdes. Olhei por um instante e quando ele percebeu meu olhar, pareceu completamente sem jeito, olhou para mim e eu abaixei a cabeça passando a mão pelos cabelos tentando disfarçar que estava olhando para ele. Pensei que ele era novo por ali também, mas percebi que estava errada quando vários garotos se aproximaram dele, cumprimentando-o com apertos de mão, e tapinhas nas costas, tampando completamente minha visão.

Encontrei algumas amigas e outros conhecidos que haviam passado pelo mesmo teste que eu para entrar naquela escola, e começamos a conversar sobre as expectativas daquela nova fase, até ouvir o sinal e subirmos para a sala.

Ao subir as escadas percebi o olhar do garoto.Tropecei em alguma coisa, e ao encontrar o olhar dele, deixei escapar um sorriso tímido. Ele conseguiu ser mais tímido que eu, mas era dono do sorriso mais bonito que já tinha visto, era são natural e sincero que eu achei que poderia ficar ali, vendo aquele sorriso por horas e horas.

Aquele sorriso foi o princípio e fenecimento de tudo…

Ela estava ali apoiada no balcão, esperando seu drink. Já devia ser o quinto, ou sexto copo, quando sentiu alguém tocar seus ombros, e descer sutilmente pelo seu braço até segurar firme sua mão. Ela se assustou, mas se acalmou ao conhecer quem fazia isso. Ele a cumprimentou com um beijo na face e um abraço apertado, e sem soltar-lhe a mão, disse:
-Quanto tempo que eu não te via! Não sabia que gostava daqui…

-Tempo demais… É a primeira vez que venho, e última! – disse ela, sorrindo, descontraída pelo efeito dos drinks.
Ele riu, e passou a mão sobre o cabelo dela, olhou-a por um segundo, e logo desviou o olhar, e colocou as mãos no bolso, tenso, quando o drink dela chegou.

-Parece que você já ultrapassou seu limite de bebidas hoje, não é? -perguntou ele, vendo que os olhos dela já começavam a parecer fora de foco, e ela estava mais alegre que o normal. “Seria o tempo, ou os drinks”, ele se perguntou.

-Imagine, estou completamente bem. Essa música me deixa pior que os drinks! Estarei com os ouvidos zunindo quando acordar! -gritou ela, tentando contrastar que o som da boate.
-E com uma baita dor de cabeça, se não parar de beber. Vamos lá pra fora?
-Ah, já tentei escapar um pouco daqui, mas parece-me que por lá só tem casais…

-Não deixamos de ser um, não é?
-Fomos um dia…-ela disse, e virou o copo que acabara de pegar.

- Hey, traz outro desses pra mim, por favor? -disse ela, ao barman.
-Não, não traz não.- disse ele, segurando-a pela cintura, e levando-a em direção ao ambiente mais tranqüilo da boate.
Eles se sentaram em um local afastado do tumulto, e a conversa sem brigas, sem cobranças, as típicas conversas de anos atrás não se faziam mais presentes ali, cedendo lugar a agora, aquela conversa distraída e amigavelmente afável, que preenchia o silêncio.

-E então, vai bancar a minha babá? -disse ela, ironicamente.
-Lembro que você sóbria não era muito confiável, não quero te imaginar com algumas na cabeça.
-Você ainda adora me chamar de louca. Você é repugnante.
Ele soltou uma gargalhada que a fez baixar a guarda, e entregar-se a situação cômica que os dois criaram ali.
-Você não perde a oportunidade de me ofender. Só não me ofendo porque sei que fala da boca pra fora, e não está em seu estado normal -disse ele, ainda esfregando os olhos, após o ataque de risos.
-Estou perfeitamente bem…Não seja tolo. Quero pegar outro drink, está quente por aqui.

-O último… Fique aqui, eu busco pra você. Vou pegar algo fraco, ok?
-Pegue uns 3, então.

Ele riu, e se afastou.

Ela ficou lá, por uns 10 minutos esperando por ele, e durante esse tempo um filme passou pela sua cabeça, desde o primeiro momento que se olharam, até a última briga infantil que tiveram, há alguns anos atrás, que os distanciou de tal forma que um olhas causava aversão.O que ocorrera naquele tempo, que parece ter apagado as mágoas do passado? Nesse momento, ele apareceu, sorrindo, com 3 latas de Coca-Cola.Ela não pode deixar de rir.
-Veja, eu trouxe 3! – disse ele, rindo.
-Continua o mesmo bobo de sempre…
-Qual você quer, ligth, zero ou normal?
-Normal…Sorte sua que adoro esse líquido triturador de ossos!

E eles ficaram ali, por algumas horas, conversando sobre tudo, rindo como dois amigos que não se encontravam há tempos com zilhões de histórias tragicamente engraçadas para contar e relembrar.Depois da formatura, eles nunca mais se viram, e agora, 3 anos depois, se encontraram naquela boate. A música parou, e eles se deram conta que havia pouquíssimas pessoas por ali.
-Vamos, então? – disse ela.
-Acho que perdi minha carona, tenho uma longa caminhada pela frente.
-Espero que minhas amigas tenham me esperad…Que cara é essa?A última vez que você fez essa cara foi quando quebrou o botão do meu mp3!
-Foi sem querer daquela vez. Bem, quando fui comprar a sua ‘bebida’ encontrei com aquela sua amiga,a loira. Eu disse que você estava comigo, e elas podiam ir sem você, pois eu te levaria embora.
-Não acredito que você fez isso! Ótimo, são 5 da manhã, e vamos ter que ir embora a pé.Vamos ver se eu consigo um táxi…Do que você está rindo agora?
-Querida, não temos mais nossos 16, 17 anos.
Ele pegou a mão dela, e a levou para fora. Apontou o gol preto, parado na terceira fila do estacionamento, e retirou as chaves do bolso.
-Você ainda brinca de carrinho? Esse é dos grandes, hein. – disse ela, ironicamente.
-Engraçadinha! Vamos lá, eu te levo.
-Não tenho certeza se confio em você no volante…
-Orgulhosa como sempre…Quer ir a pé?
Ela riu, e ele sentiu como se aquele sorriso o esmagasse por dentro, e viu que o tempo não mudara nada entre os dois quando a abraçou, e ela manteve as mãos nos bolsos, sentindo a mesma coisa, o silêncio instalou-se entre os dois.

-Você ainda mora no mesmo lugar?
-Estou lá ainda. Mas não moro mais aqui, estou de férias da faculdade. Ligue o rádio, por favor, não suporto este silêncio. -disse ela.

E seguiu-se por todo o caminho, como se estivessem numa competição por algo inestimável, em que o vencedor seria quem se mostrasse mais indiferente,até chegarem na casa dela.

-Obrigada pela carona…Bem, agente se vê. Você está morando aqui? -perguntou ela.
-Vim passar as férias também. Agente se vê, mesmo?
-Não sei.
-Continua a mesma medrosa.
-O medroso sempre foi você.
-E agora, somos os dois.
-Tudo bem…Que tal uma pizza amanhã?
-Com quantas Coca-colas você quiser!

Os dois riram, e se olharam por longos minutos, até que ele passou a mão pelo rosto dela, e ela sentiu o coração acelerar, quando os lábios finalmente se encontraram. O beijo parecia poder durar a eternidade, já que esperaram tanto tempo para se encontrarem novamente, depois de tanto tempo…depois de tudo que viveram. Finalmente ela acreditava, que um dia tudo poderia dar certo, pelo menos até a próxima despedida…