Melissa estava ali, parada, na mesma praça de sempre, olhando para o nada pensando em tudo. Pensava em quanto tempo havia desperdiçado, em quantas lágrimas deixara borrar-lhe os olhos, em quantas pessoas haviam chegado e partido, em quantos pedaços vários sonhos e planos foram estilhaçados, e como sua vida iria mudar, e se iria suportar tantas mudanças assim, e em “tudo que deixou pra trás, as cartas em cima da mesa”. Então, foi despertada daquele devaneio, por uma mão em seus cabelos que esvoaçavam livres naquele vento de fim de primavera. Ouviu aquela voz, conhecida e confortante dizendo lhe, que aquela imagem merecia uma foto, e sorriu. O abraço veio logo em seguida, e ele se sentou ao lado dela. O silêncio fazia companhia aos dois. Até ele quebrar com aquela formalidade toda, e perguntar a ela, em que ela pensava tanto, e a ouvir responder ‘em tudo’. Lucas se perguntou, se deveria questionar o tudo, mas temia a resposta.Talvez ela tivesse dúvidas sobre o ‘nós’ que  haviam criado. Talvez entre os dois nunca fosse existir nada realmente estável. Ao mesmo tempo, Melissa levantou os olhos e olhou para Lucas, esperando que ele dissesse algo, e reparou o quanto seus olhos eram bonitos, mas o silêncio novamente prevaleceu. E eles permaneceram ali, por algum tempo, até Melissa dizer que já estava tarde, e precisavam ir pra casa. Levantaram-se então, despediram-se com outro abraço, dessa vez mais longo e próximo, seguida por um leve encostar de lábios, onde Lucas disse, baixinho ‘eu gosto de você’, e ouviu um ‘eu também’ sussurrado como resposta, e então caminharam em direções opostas. Melissa então pensou, mais uma vez, no quanto tempo perdiam na vida, e como ela queria aquele abraço, pro resto da vida.