E o sono que não vinha. E as memórias que não conseguia afastar. Pensamentos, imprecisão, tentativas frustradas de encontrar respostas. E a hora vai passando. Logo o sol ia aparecer. É só mais uma noite em claro. Foi até a cozinha, bebeu meio copo de água, procurou um filme qualquer na TV, mas nada prendia sua atenção. Era fraca demais pra controlar seus pensamentos, e isso a deixava frustrada, consigo mesmo. Voltou pra cama, decidida a esvaziar a cabeça e finalmente dormir. Talvez música a distraísse. Colocou os fones no ouvido, mas cada acorde a fazia lembrar daquilo que ela estava tentando inutilmente se livrar, e logo os retirou. Então, desistiu. Deixou que tudo viesse, talvez assim, encontrasse alguma resposta, alguma saída de emergência.Então viu cenas, como em um filme. Fazia falta. Sentiu saudade, e cada vez, cingia mais. Sabia que jamais viveriam momentos como aqueles. Claro que nem todos eram ‘boas recordações’, mas que fosse assim. Faziam parte dela, mesmo as que deixaram cicatrizes, sentia falta de tudo. O tudo a fez ser como é agora. Não chorou, como pensou que faria. E isso a fez pensar que talvez estivesse ficando um pouco menos fraca emocionalmente, e ela sabia por quê. Quis sair e andar por aí, ver o sol nascer de outro lugar que não fosse aquele quarto. Mas ficou ali, entre os lençóis, até olhar pela janela e ver que o sol já estava aparecendo, junto com o sono. Não soube a hora exata que pegou no sono, mas os sonhos não a deixaram esquecer do motivo da insônia, nem nunca deixariam, nem mesmo quando adormecia.