maio 2008


Poderia apostar que você agiria dessa forma, eu já imaginava que acabaria assim.

Você pra lá, eu pra cá, literalmente. Distância, é só isso que te ofereço. Não uma distancia concreta, anos-luz. Uma distância que você possa me ver feliz, e sentir que sem você estou bem melhor, embora não esteje. Uma distância que você não possa olhar nos meus olhos, eles me entregariam.Quero que penses, que estou bem.Embora eu esteja dilacerarada interiormente. Quero que vejas,que não preciso de você. Ainda que precise, mais que a mim mesma. Quero que sintas todo a aversão que sou capaz de lhe causar, quero que saibas que qualquer um é melhor que você, em tudo. Embora eu prefira todos os seus defeitos, á todas as qualidades da pessoa mais perfeita do mundo. Mas, quero-te longe. Longe, somos menos propícios á falhas. Na ultima aproximação, vides o resultado: apenas lamento, desilusão, fúria e juras arruinadas. Vá, que eu não quero que chegues perto de mim, fico mais aliviada se ficar longe. Tua presença me incomoda, me deixa apreensiva, amedrontada, irritada, deprimida. Engraçado, antes não era assim.Em alguns meses, tudo se transformou em um sentimento desprezivel. Nosso orgulho, não nos deixa apenas nos entendermos. Sequer nos permite um olhar menos contaminado de uma falsa indiferença, e uma dor incurável por dentro, que só nós entendemos, a dor de querer estar perto, mas não aceitar este querer. Só eu sei, o quanto é sofrível, saber que poderia ser diferente, mas não nos possibilitamos a dar o braço a torcer. Entendo, como ninguém, uma frase escrita por Jon, que disse ‘O pior são os instantes logo após a dor que causa o amor, onde você tenta se convencer que nem amou, só para amenizar a dor…’ , em um de seus comentários por aqui. Começo a pensar que amar é uma ninharia, é anseio ardiloso. Faz-te nas nuvens, e te joga num abismo, sem volta.

Não, não estou com nenhum problema, apenas gosto de ficar comigo. Começo a temer esse desejo de ficar insulada em meus pensamentos e dúvidas, sozinha, sem ninguém por perto, além de meu ego, e minhas incessantes tentativas de entender-me. Começo a sentir-me mal, fria, vazia quando sinto o seu abraço, não sinto a vontade de abraçar-te de volta. Quando ganho teu beijo, e não sinto meados do que habitualmente sentiria. Quando ouço canções românticas, começo a achá-las tolas e desconexas…As de perda, e solidão me atraem, e me fazem sentir vontade de sair cantando-as, aos brados para ver se alguém (o alguém) me ouve. E cá entre nós, sabemos o porque. Vi arruinar-se algo que fazia parte de mim, que me deixou mutilada, deficiente, tragicamente patética e pessimista. Nada, pode substituí-lo, nada. E nada pode acabar com isso,apenas quem o fez.  Por mais que você tente, jamais conseguirá. Nem você, nem ninguém.  Eu não deixo, eu não me deixo aceitar. Se estou sendo sensata, ou se estou pedindo para sofrer mais, eu não sei. Nunca sei, apenas desconfio. E desconfio que você saiba disso tudo, mas insiste em tentar me alterar, em fazer pensar em outras coisas que não nele. Não sei se te agradeço pela tentativa (em vão) ou se digo de uma vez, que nada disso faz sentido para mim, que você está perdendo seu tempo comigo. Sou irremediavelmente pertinente, e esperarei, e queira você ou não, este é meu adeus, e a minha escolha. Deixe-me sozinha, por que gosto de estar assim. O dia que eu não gostar mais, será o dia que tudo voltou ao lugar, tudo como antes, ele aqui, eu aqui, não mais gostando de estar sozinha, implorando para nunca mais gostar…

Ando me perguntando invariavelmente, sobre lados. Sim, chega a ser frustrantemente delicioso como tudo pode ter dois lados. O problema é que eu sempre fico com o lado malfazejo. E isso, será tão mau assim? Será tão ruim, ter a certeza que não vai dar certo no final, e vai continuar sendo assim, a não ser que um milagre aconteça? Não, não acredito em milagres. Não acredito em nada, isto já é quase regra para mim. Mas, toda regra tem exceção. E em você, eu acredito. Em você, e em mais meia dúzia de pessoas que estão presentes em mim, há tempos, demorou em ganharem o meu acreditar, enquanto você em dois segundos, fez-me acreditar nos mais incoerentes finais. Você é distinto, tem algo que me hipnotiza, me consome.E isso, será tão bom assim? Ter expectativa que pelo menos com você poderá ser diferente? Nisto, eu não acredito, de forma alguma. Acredito que você gosta de mim, pelo menos um pouco. Esta é minha maior culpa, acreditar e acreditar e acreditar mais uma vez, e sempre ouvir de você, que eu me engano, que você não tem culpa nenhuma, se sou tão sentimental. Então eu desacredito, e quando você volta, com esses olhos negros e firmes encarando os meus, tão claros e confusos, encurralando-me, eu volto a acreditar.Por um momento, me sinto bem de acreditar nisso, me sinto leve. Me sinto feliz, como poucas vezes, mas depois tudo acaba, e mergulho novamente em meu mundo.

E todas as vezes, eu te aceito de volta, apenas para ter o prazer de me sentir bem, ao menos mais uma vez, eu já sei qual é o final.E não sei, se isso é bom, ou não…

-Oi
-O que você quer?
– …
-O que foi,agora?
-Não foi nada.
-Porque ainda choras?
-Não tens um pingo de desconfiança, do motivo?
-Não te entendo, jamais consegui.
-Jamais tentara.
-Faz uso de palavras muito díficeis, ouve bandas as quais não compreendo o que dizem e ainda me manda ouvi-las, me olha e choras.Pra mim, tu es louca.
-Não sou louca, e tu não entendes o que eu digo, mas tudo que digo, é pra você. Talvez seja por isso, seja considerada louca. Amo-te tanto, falo-te tanto, e nunca me ouves. Falo com paredes, falo com um corpo de ignorancia. Talvez seja essa minha loucura.
-Vês, não compreendo uma vírgula do que dizes.
-Eu te amo.
-Agora entendo.
-No entanto, não faz diferença, não é?
-Pois é, já foi-se o tempo que tal frase fazia sentido para mim. Depois de tudo, não vejo mais sentido nela, por mais que a entenda tão bem, e você sabe meus motivos.
-Ve-des?
-O que?
-Não es capaz de perdoar, não es capaz de me enteder. Por isso não faço questão de usar de artificios para que você me entenda. Entendendo ou não, serás o mesmo incapaz de absorver as minha palavras, e todo amor que me incomoda tanto, diariamente.
-Você me confunde.
-Muito menos do que gostaria, e muito mais do tanto que você
me faz.
-Acabou? Tenho que ir, ela me espera.
-Vá, e fica bem, enquanto eu sofro um pouco mais.
-Você e suas frases feitas, das suas bandas malucas.
-“Pois vá embora por favor, que não demora pra essa dor sangrar.”
-És louca.Tchau.

-Começo a achar que sim, e pra ti saber que tais frases são musicais, significa que ouvistes. E isso é sinal, que não me achas tão louca assim…

Ela acreditava que tudo iria mudar. Que o destino não iria ser tão cruel a ponto de não deixá-la sorrir mais, como ela imaginara que iria ser há alguns meses atrás, quando seu sorriso já não era tão radiante, como há alguns anos, que ela nem se lembra exatamente quando. Até que ponto ela suportaria, apoiar-se nos conselhos enxarcados de compaixão das amigas, na falsa crença que no fim, tudo se resolve?
Quão forte o destino imaginara ela ser, a ponto de joga-la em abismos, e nem sequer importar-se se ela suportaria recomeçar, e reconstruir, e refazer e reacreditar? Impossível de saber, como ela ainda achava forças para esboçar um sorriso,e ainda acreditar, que bastava acreditar, que um dia tudo iria acabar bem, tudo iria ser como em seus sonhos.
Os abismos eram para aprendizados, e a vida é tristemente bonita de se sobreviver, e suas negaciações banhadas de esperança, eram as que as sustentava por esses dias cada vez mais frios, cada vez mais solitários…

Quanto silêncio, em um momento ansiosamente esperado.Você me perguntou, se eu estava bem. Eu apenas acenei com a cabeça, fingindo que sim. Então, vou para lá, sento-me ao sol, sozinha, implorando para que você vá lá, e me pergunte, o que há de errado comigo, e por que meus olhos andam tão úmidos, ultimamente. Mas os únicos que me fazem companhia, são meus aforismos e conflito internos, e meus fones de ouvido. Ouço uma música, e outra, e outra e outra. E você lá, olhando ao longe. Será que ouve a mesma música que eu? Muito improvável, sempre tivemos gostos opostos, sempre fomos tão diferentes…Será que você tem o mesmo medo de se aproximar, que eu? Tanto medo, tanto pavor, de não saber o que dizer, de não saber o que pensar, e acabar por piorar ainda mais as coisas? Contentamos-nos apenas com olhares, que dizem muito mais, do que quando nos falamos.O silêncio é o que fala mais entre nós três.Eu, você e o silêncio, sempre. Talvez fosse melhor, que cada um seguisse só, e este trio se rompesse..
Quiçá assim, sejamos todos mais felizes…
…e isto, me lembrou uma canção;

“E você vai ser mais feliz longe de mim, por isso eu vou.
Mas não me peça pra amar outro homem* que não você.
Sei que seu fél fenecerá em nome de nós dois.
Chuva do céu se encerrará pra ver nosso depois.
Como vai ser ruim demais olhar o tempo ir
Sem ter os seus abraços, seus sorrisos ou suas rimas de amor.”
-assim será, los hermanos.

Você me disse tão calmamente que precisavamos conversar, quando me chamou pra sentar ali, do seu lado, naquele banco,onde tinhamos nos falado pela primeira vez.
Foi tão incompreensível, o modo com que você me chamou, com aquele olhar distante, que para mim, eram totalmente estranhos. Onde estava você ?
Tranquilamente, aquele cara com um olhar apavorante, olhou para mim, tirou uma mecha de cabelo dos meus olhos, e como se fosse simples, apenas me disse “seria bom, sermos apenas amigos” – secou uma lágrima que escorria na minha face, e me pediu, que não me entristecesse, que não perdesse o meu sorriso, porque ele o adorava.
Mas, eu não encontrara uma resposta lógica para aquilo tudo, para continuar sorrindo, como se esse fosse realmente o melhor a fazer. Quem era aquele cara, sentado ali, no lugar onde antes, meu amor havia se sentado, e jurado nunca me deixar só? Quem era aquele cara, me dizendo coisas absurdas, dizendo ser meu amigo, apenas? Pra onde tinha ido o meu porto-seguro, aquele que dizia acreditar em almas gemeas?
Aquele cara de olhar estranho, desconhecido, que me embrulhava o estomago de tanto pavor,
que me confundia, e me enojava, não era você.
Me diz, por favor, pra onde foi você?