agosto 2008


Um dia desses, decidi fazer uma cronologia do que quero fazer. Dentre a tatuagem ‘begrenzter dauer’ no final da nuca, os shows e viagens, tracei minhas metas. Sei o que quero fazer, e onde quero estar daqui a alguns anos. Estarei com 17 anos quando me despedir de todos. Espanta-me pensar que é no próximo ano. Determinei o que quero fazer, e o que me assusta mais, é que esta decisão já dura alguns meses, levando em consideração que mudo de idéias a cada duas horas, este é um grande sinal de que dessa vez, me decidi. O espirituoso de tudo isso,é que esquematizei tudo, nos mínimos detalhes, até a cor do tapete da porta da sala e o local dos porta-retratos e quem vai estar neles.Você não estava. Mas só me dei conta quando descrevi o local para um amigo, que fez a pergunta que desencadeou um tufão de realidades que eu não tinha percebido. “Ham, acho que pretendo esquecer dele até lá…”; foi a minha resposta, meio confusa e a meia voz. Permaneci em silêncio, e por dias, não consegui me desligar daquele fato. Ver você nos braços de outra, era algo que não causava mais a vermelhidão de meus olhos, o que sinto agora, não sei denominar. É algo confuso, conformista. Não é melancólico, não é próspero. Não causa mais ataques depressivos que me fazem devorar caixas de chocolates em frente ao computador, descarregando frustrações nesse blog.É algo que me faz pensar que ‘se-não-foi-não-era-pra-ser’ e que coisas que podem ser melhoradas. Há sempre caminhos a se escolher, há sempre maneiras de se esquivar sorrateiramente de algo que lhe acanha, incomoda. Mas sempre me recusei a ver tais alamedas.Confesso, ando assustada com tudo isso, tinha me habituado a viver em posto de tudo que vivi, e me esquecia do que poderia vir a viver. Até que parei pra pensar no que eu queria pra mim. E me surpreendi quando vi que você não estava entre minhas ambições futuras. Não, não deixei de amar você, acho apenas que passei a amar mais a mim. A sonhar sonhos cabíveis, que dependem de mim, unicamente. Prometo, antes de ir, me despedir de você, despedir do que fui com você por perto, e te deixar apreciar as mudanças do meu eu sonhador, com sonhos que não envolvam você. Enfim, acho que aqui, é o fim batizando um novo começo. Mais clichê, impossível.

A tecnologia não deixa as fotos amarelarem, e eu sei que pra te encontrar basta um segundo, mesmo assim, somos mais distantes que se vivêssemos em pólos diferentes.
E nossas fotos, esquecidas em qualquer pasta, submersas em várias outras, para que eu desista de chegar até o fim, e ver a imagem, em .jpg, do que fomos um dia, ainda iguais ao dia que foram tiradas sorrateiramente por alguém que também acreditava que poderia ser pra sempre. Todos acreditavam, você acreditava, eu acreditava.
Agora, não mais. Todos parecem ter se esquecido, menos eu.
Você se recusa a aceitar que nós ainda não acabamos, que ainda resto um fio nos ligando, mas você exonera-se, cobre os olhos com um manto de charlatanice, e foge.
E isso porque?
Orgulho, apenas; empáfia que distancia, afasta, arreda, separa, espaça e todos
outros sinônimos relacionados ao que você me obriga a viver;
Sempre longe, sempre aqui, nunca esquecendo demais, nunca longe demais.
Longe o bastante para não se entender, não se ouvir, não se aceitar.
Perto o bastante para não me deixar distanciar demais, esquecer demais.

Você é dono de uma beleza distinta. Uma beleza que antes de ti, para mim, era aleivosa.
Carrega um olhar abatido, uma voz doce que me acalma, sonhos que torço para que se realizem, para que eu possa, enfim ver seu sorriso, que eu nunca pude presenciar.

Nada que eu falasse, ou fizesse iria mudar alguma coisa por aqui.Tentei então não falar, não fazer. Não mudou em nada, do mesmo modo.Talvez tenha que esperar. Mas apetecer por que? Se ao menos as certezas não fossem tão hipotéticas, se ao menos o tempo não se delongasse tanto…Tudo bem, eu espero, espero até meus olhos envelhecerem. Saiba, os olhos não envelhecem, meu bem.