setembro 2008


Está uma noite fria hoje. Tão fria quanto tuas palavras deflagrando , quando o sol ainda estava alto. Tão fria quanto minhas mãos ficaram, quando ouvi, e senti, palavra por palavra sendo cravadas aqui dentro. Dessa vez, doeu mais. Doeu, por você ter me prometido, que nunca mais ia me fazer passar por isso. Você me prometeu, com as mãos secando uma lágrima do meu rosto, que você não seria mais responsável por nenhuma lágrima que por ali fluísse. Pois lhe digo que todas essas são por você, e sua palavra, não vale mais nada, além desse lamento.

Papéis Riscados

Mais uma vez, agradeço pela consideração,e pelo segundo selo. Tenha certeza que estás na minha lista dos melhores, ao lado de todos aqueles ali na lista “Eu leio”.

OBRIGADA,mais uma vez..

Caroline é toda cores. Tantas tonalidades que tornam coloridos, até mesmos dias mais cinzas. Ah, o verde, ela carrega as toneladas. Esperança é que ela mais guarda consigo. O circo de cores e amores que leva consigo, às vezes escurece, descorado: fica cinza, ás vezes negro. Mas a luz verde de Caroline, sempre ofusca esses dias.Quero as cores de Caroline, numa moldura permanente. Quero levá-las comigo, por onde for, quanto tempo for. Malabarizando as circunstâncias, domando os leões da insegurança e incerteza. Ah, só por mágica, e das boas, eu esquecerei Caroline, e todos seus sorrisos. A vida é mesmo uma peça teatral, mágica, surpreendente, um espetáculo mal-ensaiado por hora.
O prato do dia?
A esperança, o otimismo e a ambição de ser feliz, tudo combinando, assim como feijão e arroz. Porque, como diz a voz de Anitelli e sua trupe mágica, é preciso ver alegria nas coisas mais simples. Ah, Caroline; na alegria e na tristeza, senhoras e senhoras, respeitável público, será a minha irmã, do nosso teatro-mágico, tão real quanto nós mesmas.

Aqui, ou qualquer cenário . Seja calmaria campestre, seja na agitação urbe. Seja minhas ou suas, as músicas-trilha de nossos dias. Que tudo seja nosso, que tudo faça parte da nossa história. Que as tonalidades e moldes, filhos e netos sejam nossos. Seja lá qual for o gosto desse sonho, que um dia se torne real, seja amargo como agora, ou qualquer outro sabor, eu quero provar. Que as frases não sejam mais ‘a culpa foi sua’, ‘vou pegar minhas coisas e ir embora’ e ‘eu não vou, vá você’, que sejam substituídas por ‘a culpa foi nossa’, ‘vamos pegar nossas coisas e viajar’ e ‘nós vamos ficar nesse sofá, que está bom de mais’. Ah, que tudo seja como eu sonhei, e que um dia eu possa ouvir de você que foi justamente assim que você sonhou, olhando nos meus olhos, que dessa vez, se estiverem úmidos e prestes a deflagrar em lágrimas, será de felicidade, eu prometo.

Põe mais um na mesa de jantar
por que hoje eu vou pra aí te ver
e tira o som dessa TV
pra gente conversar ♪

Mal consegui dormir na noite passada com o nariz tampado e a garganta doendo. Acordou não muito cedo, e correu para o computador a fim de matar a ociosidade. Seu menino estava on line, e começou a teclar com ela. Conversa vai e vem, ele acaba por incompreensível e diz que vai sair com os amigos. História rápida e curta, ela passa a tarde toda sozinha, como de costume. Ao ver que ele chega às 20h30 desse domingo entristecido, entra no carro e se aconchega, tirando as pantufas já cansadas. Era uma noite interminável para quem se sentiu chateada o dia todo e não teria coragem de falar tudo porque se passar por chata ou ciumenta naquele momento não seria viável. Ficaram então no silêncio por longas músicas, entre perguntas com respostas rápidas e infames questionamentos, até que ele resolve beijá – la e beijá – la sem parar, e a apertar seu corpo contra o dela num jogo prazeroso; acabaram nas brincadeiras, como ela não gostaria que tivesse sido, porque quem optou a preferência de ficar o dia todo ao lado de dois marmanjos não mereceria a doçura dessa menina que há meses tem feito – ou pelo menos vem tentando fazer – alguém feliz.

(2:34 , madrugada de quinta-feira, celular toca)
Sonolenta, Melissa se recobre, tentando abafar o som, mas a insistência do outro lado a venceu, e o pavor e algo que ela não soube classificar que a sufocou no instante que ela viu o nome no visor, alastraram-se sobre seu corpo, fazendo-a levantar-se num salto, e o sono se esvair como mágica.
-Lucas?
-Melissa, desculpa. Precisava falar com alguém, sei que…
-Aconteceu alguma coisa?
-Não bem…queria falar com alguém, mas se você não…
-Sabe que estou aqui, sempre. Pode dizer. Estou a ouvir, perdi o sono há uns minutos atrás, o que aconteceu?
Rodrigo passou vários minutos, que juntos completaram um hora e um pouco mais, falando sobre suas frustrações, seus medos, seus sonhos, e sobre tudo que estava acontecendo. Melissa tentava de tudo para que ele ficasse bem, tentou fazer brincadeiras sem graça, lembrar dias engraçados; animá-lo, persuadi-lo a acreditar que ia melhorar. Ela estava destruída por dentro, ao ouvi-lo contar o quanto estava decepcionado por ter se enganado com a atual ex namorada. Ela sentia vontade de dizer “Eu avisei.” Mas tudo que respondia era “Não se preocupa, vai dar tudo certo. Fica bem, por favor.” Ela se sentia mal,por ele estar se sentindo assim, as lagrimas rolavam grossas pelo rosto,iluminado apelas pela luz fraca do abajur, ela olhava para o porta-retrato na mesa ao lado. Ela e Rodrigo, sorrindo, despreocupados, ela se perguntou se ela teria mesmo vivido aquela cena.
-Mê, obrigada por me ouvir. Desculpa ter te acordado…Vou te deixar dormir agora.
“Mê”, pensou ela, “há quanto ele não a chamava assim”? E, ele achava mesmo que ela conseguiria dormir, depois desta procela imprevista?
-Não precisa agradecer, Lú. Ligue quando quiser, e me promete que vai ficar bem?
-Claro, é bom falar com você, você me acalma, de certa forma. Obrigada mesmo. Nos vemos amanhã…
-Faço o que posso…Sim, nos vemos amanhã.
-Beijos, obrigada por tudo. De verdade. Boa noite, Mê.
-Beijos Lú, estou aqui quando se lembrar.
-Sempre me lembro.
-Enfim, boa noite.
-Sua voz, está grave. Está chorando?
-De forma alguma, é o sono.
-Ok, vou te deixar dormir em paz então. Beijo!
“Dormir em paz,” pensou ela, ao desligar o aparelho; “só pode ser piada.”
Ligou o computador, e sê por a digitar uma nova história, diferente de todas, esta só ela conheceria.