(2:34 , madrugada de quinta-feira, celular toca)
Sonolenta, Melissa se recobre, tentando abafar o som, mas a insistência do outro lado a venceu, e o pavor e algo que ela não soube classificar que a sufocou no instante que ela viu o nome no visor, alastraram-se sobre seu corpo, fazendo-a levantar-se num salto, e o sono se esvair como mágica.
-Lucas?
-Melissa, desculpa. Precisava falar com alguém, sei que…
-Aconteceu alguma coisa?
-Não bem…queria falar com alguém, mas se você não…
-Sabe que estou aqui, sempre. Pode dizer. Estou a ouvir, perdi o sono há uns minutos atrás, o que aconteceu?
Rodrigo passou vários minutos, que juntos completaram um hora e um pouco mais, falando sobre suas frustrações, seus medos, seus sonhos, e sobre tudo que estava acontecendo. Melissa tentava de tudo para que ele ficasse bem, tentou fazer brincadeiras sem graça, lembrar dias engraçados; animá-lo, persuadi-lo a acreditar que ia melhorar. Ela estava destruída por dentro, ao ouvi-lo contar o quanto estava decepcionado por ter se enganado com a atual ex namorada. Ela sentia vontade de dizer “Eu avisei.” Mas tudo que respondia era “Não se preocupa, vai dar tudo certo. Fica bem, por favor.” Ela se sentia mal,por ele estar se sentindo assim, as lagrimas rolavam grossas pelo rosto,iluminado apelas pela luz fraca do abajur, ela olhava para o porta-retrato na mesa ao lado. Ela e Rodrigo, sorrindo, despreocupados, ela se perguntou se ela teria mesmo vivido aquela cena.
-Mê, obrigada por me ouvir. Desculpa ter te acordado…Vou te deixar dormir agora.
“Mê”, pensou ela, “há quanto ele não a chamava assim”? E, ele achava mesmo que ela conseguiria dormir, depois desta procela imprevista?
-Não precisa agradecer, Lú. Ligue quando quiser, e me promete que vai ficar bem?
-Claro, é bom falar com você, você me acalma, de certa forma. Obrigada mesmo. Nos vemos amanhã…
-Faço o que posso…Sim, nos vemos amanhã.
-Beijos, obrigada por tudo. De verdade. Boa noite, Mê.
-Beijos Lú, estou aqui quando se lembrar.
-Sempre me lembro.
-Enfim, boa noite.
-Sua voz, está grave. Está chorando?
-De forma alguma, é o sono.
-Ok, vou te deixar dormir em paz então. Beijo!
“Dormir em paz,” pensou ela, ao desligar o aparelho; “só pode ser piada.”
Ligou o computador, e sê por a digitar uma nova história, diferente de todas, esta só ela conheceria.

Anúncios