E num lampejo, como se um vulto futurístico abarcasses a janela de teu quarto enquanto tu estás em estado vegetativo olhando para o nada, tudo muda. Então te levantas e queres gritar. Gritar ao mundo que aquilo ali não é o teu lugar. Então vais. Andas em torno de ti, em torno de praças e lugares desconhecidos e dá voltas e voltas, e volta. Não sabes o que realmente queres, e novamente aquele lampejo te acerta em cheio. Não sabes para onde voltar, já abandonastes o que eras. E então, clama por outro lampejo, que te cegues, mas que mostres o caminho. Mas tudo que vês é alguém esperando por ti do outro lado da rua. Segue até ele, que segura tua mão e diz ‘vem comigo’. E por um instante toda a calma que sempre procuraras te atinge e te dopa, faz-te perder os sentidos e toda a lógica. Não respondes nada, não consegue. Apenas vai, e sentes que está no caminho certo. Vais, e perdes o caminho de volta propositalmente. Vai, e prometes voltar, sabendo que esta promessa já está quebrada. Vais encontrar o que sempre buscou, um motivo para recomeçar, um motivo para se encontrar, um motivo para acreditar. E encontra. E se encontra. E não perdes mais, e não voltas mais.

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