Dizem que seguir o coração é melhor caminho.
Mas o meu é burro.
Tão burro que mal consegue resistir a um belo leque de trechos hermanícos.

” De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?”

(continua…)

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Nem todas canções vão dizer o que eu sinto
O que eu sinto por você
Mas a nossa história eu sei que é pra sempre
É só você lembrar

Quando a luz apagar
Eu vou encontrar o caminho pra nós dois
Se alguém te disser que eu não vou voltar
É só você lembrar.

 

[Parei com o blog. Um dia, eu volto.]

As coisas estão mudando – você me diz.

Mudando pra pior, eu penso comigo. Eu continuo guardado um lugar pra você, como se você estivesse ido logo ali, não demorasse e já voltasse. Mas, você foi embora e nem sabe mais o caminho de volta. Eu tento te mostrar, acendo as luzes, deixo as portas abertas, grito seu nome. Mas as luzes se apagam, as portas se fecham violentamente, e a minha voz é abafada por sua falta de vontade e esperança de reencontrar meu caminho.
E não há o que eu possa fazer, meu bem. As coisas estão mudando, e eu também estou perdendo as esperanças.

Me perdoa. Eu me rendo, eu desisto.

A confusão era visível em cada parte do meu corpo. Mesmo que ele fosse, conservaria-se aqui em mim de uma forma ou de outra, mas EU estar junto com ele, era algo totalmente fora de cogitação.Era só ele atravessar o portão de casa, que ele já esquecia-se de tudo. Sempre fora fácil assim pra ele, o que tornava tudo mais difícil pra mim. Eu só podia ter entendido errado. Ele só podia estar arrependido por ter quebrado sua promessa novamente, e por estar me vendo tomada pelo desespero, se sentindo culpado. E diga-se de passagem, com toda razão, a culpa era mesmo toda dele.
-Você enlouqueceu? -as palavras saíram impelidas, sem raciocinar, sem eu querer dizê-las.
-Não. Colabore, tente ao menos uma vez na vida não ser tão impulsiva. Ouça-me primeiro.
Impulsiva. Im-pul-si-va. As sílabas ecoavam na minha cabeça. Eu, que pensava mil vezes antes de falar. Que analisava todas as possibilidades com medo de errar e colocar tudo a perder. Tudo para não provocar cizânias, por mínima que fosse. Tudo pra não ser novamente a culpada, e ouvi-lo dizer que eu era a razão de ficarmos separados. Ou minhas tentativas eram falhas, ou ele não sabia o sentido dessa palavra. Pedi que ele prosseguisse a falar, tentado relevar o fato de ter sido chamada de algo que eu realmente me obrigava a não ser.
-Veja bem. É diferente, não sei como explicar. Eu te amo, e eu sei disso agora. -ele disse, medindo as palavras, como se explicasse a uma criança que seu cãozinho de estimação havia sido atropelado- e não quero te deixar.
-Você quer que eu deixe minha vida, e vá embora com você? –a rispidez se fazia visível até nos intervalos entre uma palavra e outra.
Não quero que a deixe, quero que a viva comigo.Case comigo se quiser cumprir os bons costumes -ele disse, com aquele sorriso que me fazia sonhar acordada.
Havia algo errado. Papéis invertidos. Eu deveria estar pedindo que ele ficasse, e ele deveria estar dizendo que não poderia. Havia algo muito errado. Ou certo demais.
-Lucas, eu acabei de fazer 18 anos, e você mal passou dos 19.
-Eu não me vejo com outra pessoa além de você.
-Nem eu, mas…
-Mas o que Melissa?
-Eu não vou. Talvez seja melhor se seguíssemos nossas vidas separados, mesmo…
Eu estava terminando com ele. O que estava acontecendo? Minha voz estava firme, não estava falhada e perdida entre soluços. Meus pés não sentiam vontade de correr longe o bastane pra esquecer o caminho de volta.Isso era totalmente inimaginável. Encontrei os olhos dele, enquanto ele passava a mão pelo meu cabelo, colocando uma mecha que estava caída em meu rosto, atrás de minha orelha. Seu olhar estava confuso, mas havia tristeza ali, eu podia sentir.
-Depois de tudo que passamos, claro que você não confiaria em mim para tanto.
-É, acho que você está certo.
-Vou recuperar o que eu perdi.
-Talvez não seja mais possível.
-Você me ama?
-Sim.

-Eu só preciso disso para não desistir de você. Venha, vou te levar pra casa.
As primeiras gotas de chuva caíram sobre nós, ele retirou seu moletom e colocou sobre mim, e abraçados caminhamos pela chuva, em silêncio. Dali pra frente, era viver. E esperar.
(…)

-Moleque ridículo.
Respondi, virando as costas. As palavras saíram atiradas, letras que se fossem navalhas, atravessar-lhe-iam as vísceras arracando-lhe a vida, que honestamente, para mim, era enojante.Sabia que a raiva demoraria a cessar, e ele também sabia disso, ao não tentar impedir que eu batesse a porta ao sair.
Caminhei por horas, as lágrimas escorriam incessantemente pela minha face. Não eram de tristeza, não eram de frustração ou decepção. Eram de raiva.O ódio que me consumia naquele momento, cegava meus olhos, bloqueava as lembranças boas que talvez me ajudariam a diminuir a intensidade do rancor que havia me acertado em cheio.
Estava machucada. Por dentro. As feridas gritavam abertas ao relento, queimavam.
Já estava escurecendo, e meu celular tocou pela primeira vez após algumas horas, que eu não tenho idéia de quantas foram. Aquele maldito nome na tela, aquela maldita música que me fazia ter certeza de quem estava chamando. Atirei o celular ao longe, sabendo que me arrependeria depois, e saí correndo pra pegar. Estava em pedaços, assim como eu. Permaneci ali, imóvel, inteiramente despedaçada, como se esperasse que um milagre igual aos  de romances clichês viesse me salvar.
“Sabia que você estaria aqui. Levanta daí, amor.”
-tremi ao ouvir a voz aveludada, apreensiva, de Lucas.
“Some. Me deixa”, respondi, com a voz mais dura que consegui simular.
“Para. Vamos ver se você consegue entender. Eu vou embora, isso é fato…”
Essa era a fatídica frase que havia começado a discussão mais calorosa que tivemos, em 4 anos que estivemos supostamente juntos.
“Pois vá. Vá, como todas as vezes. Arrume outra namorada, seja feliz por 15 dias. Aproveite as festas que ela vai gostar de ir, beba, repita o semestre na faculdade. Volte frustrado e me procure. Só não pense que dessa vez eu estarei aqui, pois estou indo também.” As palavras saíam falhadas, entre a respiração acelerada pelo ritmo cardíaco extremamente acelerado também, eu quase podia sentir meu coração estourando meu peito. Os olhos deles me encaravam, sem paciência, sua expressão era de profundo desapontamento, e eu não entendia a razão. Afinal, ele que prometera há dois meses atras, que ficaria aqui dessa vez. Ele me dera sua palavra.
“Será que eu posso falar, ou você vai continuar me acusando, me ofendendo, achando-se a dona da verdade?”
Senti vontade de enforca-lo, ao responder, com todo sacrifício, que ele tinha 5 minutos até eu ir pra casa e botar fogo em tudo que me lembrava ele, e nele também, se ele tentasse me impedir.
Ele suspirou, como se buscasse forças em alguma coisa. Segurou minhas mãos, fechou os olhos por alguns segundos,enquanto esperava que minhas mãos parassem de tremer,e finalmente disse : “Vem comigo, Melissa.”

(…)

“Vai ficar tudo bem. Olha para mim, prometa que você vai ficar bem” -dizia Lucas, ao ver os olhos vermelhos de Melissa ao despedir-se dela. Mas tudo que ela sentia, era uma vontade incontrolável de implorar que ele não fosse. Ela precisava dele por perto, ele não sabia, mas ele era seu alicerce, era ele quem a sustentava em pé quando ela não descobria audácia pra tanto. Claro, que ela nunca disse isso a ele, e nem poderia. Ele apenas diria que era exagero, e iria rir. Melissa o via com olhos diferentes que ele a via. Ela o via como alguém que poderia envelhecer ao seu lado, ele a via como alguém que o apareceria, às vezes, para relembrarem como fora a mocidade. Eles se gostavam. Ela muito mais que ele e de uma maneira muito mais visível. Mas ambos sabiam que não demoraria muito, cada um seguiria sua vida. Melissa pensava nisso todas as noites em que não conseguia dormir, pensava no dia em que não veria mais aquele sorriso, que não teria mais aquele abraço, que não ouviria mais aquelas palavras docemente tímidas. Pois ali, naquele momento, despedia-se de tudo, contra sua vontade. Não disse adeus, não disse uma palavra. Olhava para ele, que falava, e falava e falava… Aturdido, não entendia por que ela chorava, afinal, continuariam se falando, continuariam sendo amigos. Encontrariam outras pessoas. Ele namoraria outras garotas, ela encontraria um bom rapaz, por que é que ela ainda insistia em permanecer calada, mostrando apenas nos seus olhos verde-água, a angústia que vestia seu interior? Ele continuava a falar, tentando encontrar uma maneira de fazê-la responder, reagir. Mas nada que ele falava, a fazia responder. Eram apenas sinais com a cabeça, ora positivos, ora negativos ou indiferentes. “Está sendo infantil”, disse ele, repetidas vezes. E viu aqueles olhos marejados, e aqueles traços que ele jamais prestara tanta atenção como naquele momento, perpetuarem se em sua memória. Sentiu um nó na garganta, abraçou a, erguendo-a alguns centímetros do chão. Ela não estava sendo infantil, ela o amava e ele nunca soube perceber isso, ela também nunca disse, com todas as palavras, nunca havia lhe dito aquelas 3 palavras. Mas ele sabia, ele sentiu naquele abraço, naqueles olhos. Então, o abraço se desfez, e ele a beijou. Melissa permaneceu em silêncio, mesmo após o beijo. Pensava que aquele beijo, fora uma maneira de ele fazê-la reagir, fazê-la responder. Ele se mostrava cada vez mais confuso, e então a ouviu dizer, quase que com um sussurro ‘vou indo, boa sorte, me liga se lembrar’. Ele então a segurou, e naquele momento, percebeu o quanto sentiria sua falta. Era tarde, pensou ele. Era tarde para ele descobrir o quanto gostava dela, o quanto precisava dela. Nunca percebeu, pois ela nunca deixou de estar ao seu lado, em qualquer momento. Retirou de seu pescoço, uma corrente fina  de prata. Deu a ela. Ela disse que não queria, as lembranças já bastavam. Ele insistiu, e ela a colocou em duas voltas, em seu pulso. Então, num súbito desejo de terminar logo com aquilo, afastou-se. Sorriu pra ele, um sorriso tristemente bonito. Lucas agora estava sério, olhando para ela, arrependo-se do tempo que perdera, mas agora era tarde, forçou um sorriso, que não era nada parecido com o seu. Aquele sorriso largo, alegre, encantador que ela se apaixonara… Ela se afastava, com passos lentos, olhando a corrente em seu pulso, como se esperasse que ele a alcançasse, mas sabia que ele não podia mesmo se quisesse. Ele permaneceu ali, parado, esperando a hora de partir. Pessoas ao redor que viam a cena, pensavam consigo que eram apenas um casal de namorados que se despediam, não sabiam nada da vida e viam novela demais. Mas não viam que parado ali, estava alguém que acabara de descobrir que amava alguém que o amava muito mais que a si mesma, e a via desaparecer por entre passagens e pessoas apressadas. A descoberta viera tarde demais. Talvez se encontrassem um dia. Talvez não. Agora estava nas mãos sórdidas do destino, já que quando estavam em suas mãos, não soubera cultivar.

Qualquer sentimento um pouco mais forte que o habitual, dizem ser amor. O ‘eu te amo’ perdeu o sentindo de vez. Quando se ama, se espera o máximo. E o máximo vem, mas você continua pensando ser o ínfimo da boa vontade, sem pensar que amar é aceitar, acolher as contestações. Mínimo de um, pode ser o máximo do outro. E vivendo esperando, esqueces que amar não é esperar. É viver, é sentir, é aproveitar enquanto ainda se há amor mantendo os alicerces firmes. E nessa espera, o mundo gira e acaba que alguém procura um sentido e só vê insatisfação, cobranças, e amor? O amor fica esquecido em um canto qualquer. E então, as bases estremecem, e cada um segue em um caminho oposto, após ou antes mesmo de tudo desabar, apenas por precaução, por medo. E então vem a nostalgia, e o amor então aparece, e faz padecer, porque agora há a frustração ainda maior de o ter desperdiçado enquanto podia-se ser feliz com ele. E é por isso que dizem que amar, dói. Somos nós, que ainda não aprendemos a amar.